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Iº Seminário Regional de Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável do Câmpus Sertão recebe o secretário estadual Ivar Pavan

Secretário  de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo Ivar Pavan em sua explanação sobre as "Políticas para o Desenvolvimento Rural Sustentável"

Antecipando as ações de conscientização da Semana do Meio Ambiente, o Câmpus Sertão promoveu o I Seminário Regional de Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, nos dias 31 de maio e 1º de junho. O objetivo do seminário é atualizar os participantes sobre a questão da Agroecologia e do Desenvolvimento Rural Sustentável, bem como fortalecer uma rede de atuação entre agricultores, pesquisadores, extensionistas e estudantes e, finalmente, dar visibilidade ao tema.

O evento teve a presença do secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo Ivar Pavan. O secretário abriu as atividades na manhã de sexta-feira (01) e falou sobre "Políticas para o Desenvolvimento Rural Sustentável".

De acordo com Pavan, a Agricultura Familiar representa 27% do PIB no Estado dentre as cadeias produtivas. Ele apresentou dados numéricos que apontam para 441.467 estabelecimentos rurais no RS, sendo 378.546 de base familiar, o que representa um percentual de 85,7%.

A agricultura de base familiar é determinante para o desenvolvimento da maioria dos municípios gaúchos, já que 66,7% dos municípios têm menos de 10 mil habitantes e são essencialmente agrícolas. "Sem a agricultura nestes municípios, o que resta?", indagou, preocupando-se com a evasão e o envelhecimento do campo. Pavan comentou uma pesquisa que indica que 54% dos rapazes e 74% das moças não pretendem continuar na roça.

"Essa evasão do campo trará novas possibilidades e um futuro promissor para aqueles que ficarão, contudo é preciso garantir infra-estrutura e levar cada vez mais conhecimento aos agricultores", comentou.

Pavan destacou a missão da secretaria de Desenvolvimento Rural é focar o desenvolvimento na elevação da qualidade de vida dos agricultores, pensando a agricultura familiar como um modo de vida. Para o secretário, a crise do modelo agrícola atual abre novas perspectivas que devem ser exploradas pelos agricultores familiares, principalmente no que diz respeito a agroecologia. "O desenvolvimento econômico e o desenvolvimento sustentável não são antagônicos", salientou.

No Estado, Pavan expôs que os produtos agroecológicos são vendidos diretamente aos consumidores, comercializados em feiras, nos mercados institucionais e disponibilizados através da merenda escolar. "Nosso grande desafio é sensibilizar técnicos e agricultores para o debate ecológico", afirmou.

Além do secretário, o seminário contou com palestras diversas e a apresentação de trabalhos das organizações de base e apoio (CAPA, Via Campesina, CETAP e Fetraf-Sul) e das instituições de ensino e pesquisa da região, como EMBRAPA, EMATER Universidade Federal da Fronteira Sul, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e URI. Também houve a apresentação de relatos de experiências significativas sobre agroecologia feita por agricultores: agroflorestas, leite orgânico, laranja orgânica, frango caipira, fitoterápicos, arroz orgânico.

Integraram a programação, ainda, palestras, feira de experiências, mostra, troca de sementes crioulas e reflexões sobre a realidade atual e os resultados positivos em termos de experiências em Agroecologia.

De acordo com o presidente da Comissão Organizadora do evento, Welington Zanini, "a discussão sobre Agroecologia vem se intensificando desde os primeiros sinais da insustentabilidade do modelo de desenvolvimento Agrícola baseado na modernização da agricultura. A ideia de um Desenvolvimento Sustentável, abriu espaço para uma nova proposição: a Agroecologia focada na sustentabilidade do agroecossistema".

 

Agroecologia e ATER pública

Na opinião do diretor técnico da EMATER Gervásio Paulus, a estratégia de conservação de alimentos se perdeu com o tempo. "Se faltar energia elétrica por uma semana teremos nossa segurança alimentar afetada", comentou.

Desta forma, Paulus salientou a importância de preservar e resgatar a sabedoria e os conhecimentos dos antigos agricultores que estão se perdendo com o tempo.

"Precisamos pensar um desenvolvimento rural além da produção. O rural não é só o agrícola, é o modo de vida, as relações, a área de cultura, lazer e infraestrututra. É preciso uma visão holística", destacou.

Para Paulus, agroecologia é um conjunto de condutas científicas articuladas com saberes empíricos dos agricultores, associado ao manejo ecológico dos agroecossistemas. Segundo ele, a extensão rural é uma atividade fundamental para o desenvolvimento do campo, pois é o principal modo de levar novos conhecimentos aos agricultores. "É preciso entender a lógica do uso dos recursos naturais e a história de cada comunidade, para a partir do entendimento propor sugestões", destacou.

 

Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável

O professor da Universidade Federal de Santa Maria, Clayton Hillig baseou sua palestra sobre conceitos filosóficos, justificando que a prática agroecológica depende de uma mudança de atitude da sociedade.

"Para fazer agroecologia tem que haver uma sociedade capaz de rasgar dinheiro", disse, provocando o público. Hillig explicou que é preciso outro tipo de economia para a agroecologia. "A gente não tem nenhum termo na linguagem para definir a atividade agroecológica como atividade financeira. Como vamos falar de mercado agroecológico? São termos em oposição", citou.

Hillig acredita que para se fazer agroecologia, além de outro tipo de economia, é necessário investir nas trocas e mediações sociais e culturais na preservação de sementes, mudas e procedimentos de plantio.

"Quanto tem na floresta amazônica? É impossível responder, porque é intangível. Precisamos de uma escala valorativa para medir. Ela vale a capacidade do planeta continuar existindo", questionou.

A certificação de produtos orgânicos

As questões legais referentes a agroecologia foram debatidas pelo representante da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado, José Cleber Dias de Souza. Os princípios gerais da agricultura orgânica foram estabelecidos pela lei 10.831 de 23 de dezembro de 2003, regulamentada pelo decreto 6323 de 27 de dezembro de 2007 e suas instruções normativas.

Estas instruções normativas determinam técnicas específicas para o sistema de produção agropecuária que as diferenciam do sistema de produção convencional. O respeito às técnicas é que vai viabilizar a aquisição do selo ou da certificação de produção agroecológica.

As instruções também tratam do período de conversão entra o sistema convencional e o agroecológico, fixando prazos e ações. De acordo com Souza, a comercialização dos produtos agroecológicos geralmente ocorre de forma direta com o consumidor, através de mercados institucionais ou em feiras.

Ele também explicou os passos para conquistar a certificação e/ou o selo de produto agroecológico. Para garantir um dos dois, é necessário que o produto tenha no mínimo 95% de ingredientes orgânicos.

 

Consumo de Alimentos orgânicos como forma da conservação da biodiversidade e dos saberes - Plantas alimentícias não-convencionais

A conservação dos saberes e da biodiversidade foi o foco da palestra da professora Ingrid B. Inchausti de Barros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para ela, a utilização dos recursos vegetais através do cultivo orgânico é uma atividade estratégica para a conservação da biodiversidade. "Os saberes dos camponeses, dos indígenas e dos quilombolas são importantíssimos. Essa experiência de vida é riquíssima e sua valorização e transmissão devem ser incentivados", ressaltou.

Ingrid citou suas experiências com as chamadas PANCS, Plantas Alimentícias Não-Convencionais, que são espécies negligenciadas e subutilizadas na alimentação humana. "Algumas plantas altamente nutritivas são tratadas muitas vezes como inço e poderiam estar incrementando muitas receitas. É para isso que queremos despertar os produtores. Inclusive, muitos chefes de cozinha estão resgatando essas plantas e inovando em pratos especiais de restaurantes conceituados", apontou.

Segunda ela, cada povo tem seu conhecimento a respeito de determinadas plantas, sobre seu cultivo e seu uso, e por isso é tão importante reunir e preservar estes conhecimentos. "Essa é a garantia da biodiversidade agrícola e da nossa segurança alimentar", reforçou.

 

 

 

Galeria

Seminário reuniu estudantes, profissionais e representantes de movimentos sociais Diretor-Geral do IFRS - Câmpus Sertão, Lenir Antonio Hannecker Chefe de Gabinete Silvar Antonio Botton e Diretor-Geral do Câmpus Sertão Lenir Antonio Hannecker, junto ao secretário Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo Ivar Pavan, junto a pesquisador da EMBRAPA e ao Diretor Técnico da EMATER Gervásio Paulus O diretor técnico da EMATER Gervásio Paulus falou sobre Agroecologia e ATER pública As questões legais referentes a agroecologia foram debatidas pelo representante da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado, José Cleber Dias de Souza A conservação dos saberes e da biodiversidade foi o foco da palestra da professora Ingrid B. Inchausti de Barros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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