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Professor do Campus promove treinamento na área de informática para professores e funcionários da Escola Estadual Indígena Fág Mág de Charrua

Turma de alunos do curso de informática junto a equipe do Campus

"A gente estava na escuridão e agora chegou a luz". É esta a definição do professor indígena Edson de Oliveira, 34 anos, a respeito do curso de Informática Básica que realizou com outros dez colegas da Escola Estadual Fág Mág, da Reserva Indígena do Ligeiro, de Charrua. O curso de 40 horas foi ministrado voluntariamente pelo professor Marcos Rogério dos Reis do Campus Sertão, no período de junho a outubro deste ano, através do Projeto Inclusão Digital, em parceria com a Prefeitura Municipal de Charrua e a Secretaria da Educação, Professora Marlene Caldatto.

Este projeto terá continuidade com mais 40h e assistência técnica conforma projeto registrado no portal SIGProj junto ao MEC, como projeto de extensão

Aprender a digitar, a construir planos de aula com o auxílio do computador, acessar a internet, fazer pesquisas e utilizar o correio eletrônico foram alguns dos conteúdos abordados pelo professor Marcos Reis durante o curso, realizado no laboratório de informática da própria escola indígena. As aulas eram semanais, das 17h30min às 21h30min.

Foram alunos os professores de séries iniciais Dirceu Lopes Antônio, Iraci Antônio, Lucinda M?fey Candinho, Marizalda Rosa, Neusa Ferreira e Edson de Oliveira; os professores de Kaingang Silvio Farias e Rogério Antônio; e os funcionários Evandro Palhano, Girley Ribeiro e Ieda Teresinha Dineck de Lima.

"Já tinha tido contato antes com computadores, mas não sabia utilizar eles. A primeira vez que entrei na internet foi no curso. Gostei muito das aulas. A gente precisava aprender mais sobre informática, principalmente no meu caso, que faço faculdade", avalia o professor indígena Rogério Antonio, 38 anos, acadêmico do curso de Matemática.

O ensino da língua Kaingang também será beneficiado pelo curso. De acordo com o professor Sílvio Farias 31 anos, aluno do curso, a tradução e os símbolos utilizados podem ser mais bem visualizados e explicados para os alunos com recursos de informática. "A tecnologia vai ajudar a passar nossa cultura e tradições para as futuras gerações", comenta.

Segundo o instrutor do curso, Marcos Rogério dos Reis, a intenção é que estes conhecimentos sejam repassados pelos professores aos alunos e que cada vez mais cedo os índios da reserva tenham contato com as novas tecnologias e o mundo virtual. O aprendizado também foi fundamental para a vida acadêmica de alguns professores indígenas que estão realizando curso de graduação.

Para o professor indígena Edson de Oliveira, 34 anos, acadêmico do 6º semestre do curso de Pedagogia, a possibilidade das crianças da Reserva conhecerem a informática e praticarem estes conhecimentos é fundamental para o crescimento e desenvolvimento das futuras gerações. "Estas crianças não vão sofrer como nós sofremos por falta de conhecimento e acesso a novas tecnologias", destaca.

O funcionário Evandro Palhano, 25 anos, conta que trancou o curso de Administração por falta de recursos financeiros e que sentiu muita dificuldade nas aulas por não ter tido acesso as aulas de informática anteriormente. "Para termos mais qualidade de vida na Reserva, precisamos de mais orientações, palestras e cursos como este de informática, porque as informações não chegam até nós. São poucos os índios que seguem seus estudos após a 8ª série porque não tem idéia da importância de estudar", aponta.

Apesar das dificuldades, os onze professores frequentaram as aulas com bastante motivação, conforme Marcos Reis. Há cerca de cinco meses sem abastecimento de água devido ao poço artesiano da reserva ter secado, a Prefeitura Municipal fornece um caminhão de água diariamente, mas quando essa água acaba os cerca de 1800 índios precisam buscar água com baldes numa fonte. Banho, somente no rio que passa pelo local.

Isso não foi motivo para eles não frequentarem as aulas. A vontade de aprender superou qualquer obstáculo. "No curso eu aprendi a pesquisar trabalhos interessantes para levar para a sala de aula e isso vai melhorar muito o aprendizado dos alunos", anima-se a professora Marizalda Rosa, 30 anos.

A Escola Fág Mág, que significa Pinheiro Grande em Kaingang, tem 471 alunos. Há sete anos possuem laboratório de informática que praticamente não vinha sendo utilizado em razão dos professores não serem capacitados na área de informática. Situação que mudará após a realização do curso.

Em agosto, a Escola recebeu mais dez computadores do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), do Ministério da Educação, para o laboratório que só não entraram em funcionamento porque não havia ninguém disponível ara fazer a instalação. O professor Marcos, junto ao técnico administrativo Cedemir Pereira e ao aluno do primeiro ano do curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio, Kalan Trentin, fizeram a instalação dos computadores e consertaram máquinas antigas com problemas.

Além do laboratório de informática, os professores indígenas receberam notebooks através de um programa do Governo do Estado que serão mais bem utilizados após o curso.

No mesmo período do curso de informática as merendeiras e funcionárias das escolas municipais e estaduais do município também participaram de um curso de Gastronomia, de 40 horas, ministrado voluntariamente pela Chef de Cozinha Monica Lizete Ruschel (Bacharel em Gastronomia), em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Passo Fundo (STHBR). O curso foi realizado na cozinha da Escola Fág Mág.

Durante o curso foram abordados aspectos de higiene e segurança na produção de alimentos, análises de pontos críticos de controle, além de técnicas básicas de culinária com a intenção de facilitar o dia-a-dia das profissionais. Houve uma grande troca de cultura, onde os não índios apreciaram um pouco da deliciosa gastronomia indígena, pouco difundida no sul do país.

A entrega dos certificados dos dois cursos aconteceu na noite de terça-feira (5) com alimentos preparados pelas alunas das oficinas de gastronomia.

Segundo Marcos Reis, foi difícil conquistar o respeito dos professores e funcionários indígenas por tratar de culturas e valores diferentes, por este motivo foi decidido realizar simultaneamente o curso de gastronomia. "Com os dois cursos acontecendo e a integração no final com o consumo do que foi produzido nas oficinas de gastronomia, nos aproximamos das pessoas. Estamos a todo momento valorizando o conhecimento e a cultura dos indígenas, tanto nas oficinas de informática quando desenvolvem trabalhos escrito em kaingang como nas oficinas de gastronomia quando as índias ensinaram a fazer o pão indígena, chamado de emi", relata o professor.

Os índios também tiveram auxílio no acesso ao portal kaingang na internet, totalmente escrito em kaingang (http://www.kanhgag.org/) e na página em português (http://www.portalkaingang.org/).

Galeria

Curso foi desenvolvido no laboratório de informática da Escola Fág Mág O Professor Marcos Reis, o servidor Cedemir Pereira e o aluno Kalan Trentin fizeram a instalação de novos computadores e o conserto de máquinas já existentes No mesmo período do curso de informática, foi desenvolvido o curso de gastronomia

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