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Encerra I Simpósio de Ciências Agrárias do IFRS - Campus Sertão

Abertura oficial do Simpósio

"Desenvolver o campo compartilhando saberes". Este foi o lema e a grande finalidade do I Simpósio de Ciências Agrárias realizado pelos cursos de Agronomia, Tecnologia em Agronegócio, Licenciatura em Ciências Agrícolas e Zootecnia do Campus.

O Simpósio promoveu discussões sobre diversos temas da atualidade na agropecuária de terça (04) a quinta-feira (06). A abertura oficial do seminário, na manhã de terça-feira (04), contou com os coordenadores dos cursos de Agronomia - Sergiomar Theisen, presidente da Comissão Organizadora do evento; Licenciatura em Ciências Agrícolas - Walter Lucca; Tecnologia em Agronegócio - Oscar Bertoglio; Zootecnia - Juliano Hashimoto; do coordenador de cursos superiores Márcio Luís Vieira; do diretor de Ensino Josimar de Aparecido Vieira; e do diretor-geral pro-tempore Odirce Teixeira Antunes.

Também se fizeram presentes o vice-prefeito de Sertão Marcelo D Agostini, o chefe do escritório municipal da EMATER Marcos Antonio Gobbo e o supervisor regional da EMATER Paulo Silva.

Coordenador do curso de Agronomia e presidente da Comissão Organizadora do evento, Sergiomar Theisen, destacou a união dos cursos na realização do Simpósio. "Este simpósio irá discutir temas relevantes, que foram inquietações levantadas pelas coordenações dos cursos para contribuir com a formação profissional dos acadêmicos", disse.

O diretor-geral Odirce Teixeira Antunes saudou o público no início do evento e alertou aos participantes para tirarem o máximo de proveito das palestras, tendo em vista os profissionais de renome na programação.

A avaliação final do evento pela Comissão Organizadora foi positiva. "Os acadêmicos que acompanharam as palestras do início ao fim certamente tiveram um grande conhecimento agregado. Mesmo com pouca participação do público externo, acredito que o evento, apesar de ser o primeiro, já esteja consolidado no calendário escolar dos próximos anos tendo em vista a importância dos conhecimentos abordados tendo como fim a produção agropecuária", comentou o presidente da Comissão, Sergiomar Theisen.

Esta avaliação é confirmada pelo acadêmico de Agronomia Augusto Posser. "O Simpósio nos proporcionou conhecimento diferenciados daqueles que obtemos em sala de aula porque nos colocou em contato com diferentes profissionais com visões e experiências diversas", opinou.

Geração de renda a partir da integração entre lavoura e pecuária

O pesquisador da EMBRAPA, Doutor em Agronomia pela Universidade da Flórida, Renato Serena Fontaneli, abriu a série de palestras e debates do Simpósio, às 9h30min.

O tema da palestra foi "Geração de renda a partir da integração lavoura e pecuária (ILP)". Segundo Fontaneli, o Brasil ainda tem muito a avançar. Ele apontou que os Estados Unidos já fizeram a mudança para o sistema baseado em pastagens em detrimento ao de silagem e grãos há muito tempo.

"Nós podemos intercalar o plantio de pastagem e lavoura no mesmo ano. E o Brasil tem uma imensa vantagem: enquanto que na Europa só há uma época de plantio, porque no inverno o solo está coberto de gelo, aqui temos duas épocas de plantio, o que nos possibilita a intercalação", comentou.

 

Compactação do solo x Tráfego de máquinas agrícolas

A segunda palestra da manhã de terça-feira (04) aconteceu a partir das 10h30min e foi proferida pelo professor do Campus Sertão, doutor em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria, David Peres da Rosa. O tema foi "Compactação do solo x Tráfego de máquinas agrícolas".

Em sua explanação, o professor citou os problemas ocasionados no solo devido à compactação, que é conseqüência do uso de máquinas pesadas, pelo tráfego de animais e pelo não revolvimento do solo. "A compactação nada mais é que o decréscimo de volume do solo frente à ação externa", explicou.

O problema da compactação aumenta com a utilização de máquinas agrícolas cada vez maiores. O grau de compactação do solo depende do tipo de pneu, suas dimensões, velocidade de operação, número de vezes que trafega sobre o mesmo local e carga suportada.

Segundo ele, pesquisas indicam que o acúmulo de palha na superfície do solo tem capacidade de absorver parte da energia transmitida pelas máquinas agrícolas. Além disso, a área de contato pneu-solo é uma maneira fácil de se reduzir o efeito da compactação do solo, aumentando-se a largura dos pneus utilizados nas máquinas.

 

Uso de subprodutos agrícolas na alimentação animal

A utilização de subprodutos para a alimentação dos animais pode ser bastante rentável aos produtores, segundo o doutor em Zootecnia pela Universidade Federal de Santa Maria e professor do Instituto Federal Catarinense - Campus Sombrio, Miguelangelo Arboitte. Em sua palestra, o professor destacou que os produtores precisam saber quanto custa alimentar um animal. "Para trabalhar na área agrícola é preciso fazer contas", reforçou.

Conhecendo os custos de alimentação, é possível avaliar a viabilidade de outras alternativas e suas vantagens. Arboitte indicou, por exemplo, que a casca de soja é um ótimo alimento para ruminantes. "Os subprodutos não substituem as pastagens, devem ser utilizados de forma conjunta e complementar", lembrou.

Muitos resíduos da produção que tinham o lixo como destino são ótimas fontes de alimentação animal, desde que utilizados de forma correta e balanceada, supervisionada por profissionais.

 

Utilização de silagem na produção animal

Professor da Universidade Federal de Santa Maria e doutor em Zootecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, João Pedro Velho falou sobre silagem na alimentação animal.

A palestra foi às 15 horas de terça-feira (04/10). "Antes de começar a produzir silagem devemos nos perguntar: estamos produzindo para quem?", indicou. Para ele, conhecer cada animal e suas necessidades é o primeiro passo para produzir silagem de qualidade.

"Ainda não é possível fazer o melhoramento genético de todas as características dos animais de forma proporcional e simultânea, por este motivo pode haver o desequilíbrio entre a capacidade digestiva e a capacidade produtiva do animal, minimizado com o investimento numa alimentação de qualidade", argumentou.

Conforme Velho, o emprego da silagem de grãos úmidos de milho tem se constituído em importante tecnologia para reduzir os custos com alimentação em criações de suínos e bovinos leiteiros e pode contribuir para solucionar os graves problemas de armazenagem de grãos nas fazendas.

 

A dinâmica na compactação do solo

"É imprescindível um solo com boa estrutura e profundidade para o plantio" foi a afirmação inicial do professor Vilson Antonio Klein da Universidade de Passo Fundo. Klein é doutor em Agronomia, Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade de São Paulo e tem Pós-Doutorado pela mesma Instituição.

No que se refere à compactação de solo, o desafio está em intercalar o plantio do cultivo de inverno, a lavoura e o pastoreio. "É preciso dar folga para o solo se recuperar, alternando as atividades. Desta maneira é possível minimizar os problemas com erosão e continuar usando o solo de maneira produtiva", apontou.

Ele destacou a importância do produtor investir em novas alternativas em conjunto com o plantio de grãos. "Quando se tem mais tempo para gastar do que para ganhar, a conta não fecha", brincou.

Para Klein, os profissionais devem se preocupar e estudarem o solo constantemente quanto às características físicas, químicas e biológicas. "É o solo que dá o suporte a toda a produção agrícola", reiterou.

Os dados apresentados na palestra por Klein tiveram a colaboração dos professores do Campus Clovis Dalri Marcolin e Márcio Luís Vieira, os quais foram orientandos de Klein.

 

O problema das micotoxinas na agropecuária

Um tema bastante atual e muito discutido na área agrícola nos últimos tempos, o problema das micotoxinas foi abordado pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, Jânio Morais Santúrio, Doutor em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O enfoque principal da palestra foi a importância da qualidade da alimentação para os animais, tanto nutricional quanto microbiológica. "Por trás de alternativas de alimentação animal pode haver perigos muito grandes e devemos estar atentos", alertou.

Segundo ele, o milho é a principal fonte de alimentação para suínos e aves e o que mais oferece riscos de intoxicação por fungos. "O efeito dos fungos na alimentação é a liberação de toxinas que afetam diretamente o desenvolvimento e a produtividade do animal", expôs.

Santúrio indica uma seleção rigorosa das matérias primas para alimentação dos animais para evitar os problemas com as micotoxinas. "O segredo está na seleção das matérias primas e no seu correto armazenamento, o que vai evitar a proliferação de fungos", disse.

 

O uso da água nas propriedades rurais do RS

Os Engenheiros Agrônomos Ivan Guarienti e José Enoir Daniel da EMATER tiveram o desafio de falar sobre o uso da água e os sistemas de irrigação.

"Quando vim para o Rio Grande do Sul, me disseram que teria um grande desafio, que seria o de falar de irrigação para os gaúchos, que é falar de geladeira para esquimós", brincou Guarienti.

Ele justificou pelo fato do Rio Grande do Sul ter grandes volumes de chuva durante o ano. Contudo, esta chuva nem sempre é bem distribuída e não ocorre no período necessário. "Os proprietários rurais precisam aprender a armazenar a chuva para utilizar quando for preciso", disse.

José Enoir destacou que a água é o principal insumo para a agricultura e destacou projetos de irrigação e de açudes na região. "Temos de desmistificar que o custo com irrigação é caro. Se comparado ao investimento numa outra máquina agrícola, por exemplo, um pulverizador, que é utilizado apenas algumas poucas vezes por ano, o custo por hectare/ano é muito pequeno e os benefícios são infinitamente maiores", destacou.

Os dois explicaram os programas do Governo Estadual direcionados à irrigação e a implantação de açudes e cisternas.

 

A piscicultura como fonte alternativa de renda para o pequeno produtor

A diversificação das propriedades e a piscicultura como alternativa de fonte de renda foi a palestra da professora Mestre do Instituto Federal Farroupilha - Campus Júlio de Castilhos, Cátia Aline Veiverberg, na tarde de quarta-feira (04). "A piscicultura é uma boa alternativa para a complementação de renda nas propriedades. Aliada à atividade leiteira ou às lavouras, por exemplo, ela pode somar sem exigir grandes investimentos", ressaltou.

O fator determinante no desenvolvimento da atividade, segundo ela, é a escolha da espécie de peixe a ser criada. "Há espécies com hábitos alimentares diferentes. O segredo é escolher uma espécie com hábitos amplos, para que o produtor possa utilizar subprodutos da propriedade na alimentação dos peixes e minimizar os custos", apontou. Uma espécie indicada por Carla, com estas características, é a carpa.

 

Tratamento dos dejetos por biodigestão e compostagem e aproveitamento como fertilizante orgânico

O último dia do Simpósio iniciou com a palestra proferida pelo pesquisador da EMBRAPA Suínos e Aves, Rodrigo da Silveira Nicoloso, que falou sobre tratamento de dejetos que causam uma grande preocupação ambiental. Segundo ele, a EMBRAPA possui duas linhas de trabalho com dejetos, sendo uma a biodigestão e a outra a compostagem.

Através da biodigestão, o produtor pode transformar os dejetos em produção de energia e gás. Com a compostagem, podem-se obter fertilizantes orgânicos sólidos. "O produtor só precisa identificar qual destas linhas é melhor adaptada à sua propriedade", salientou.

 

Uso de pastejo rotacionado e irrigado para a produção de leite

Este foi o tema abordado pelo Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia, Victor Hugo Cainelli da empresa Fockink de Panambi. A produção de pasto irrigado é uma nova tecnologia que vem apresentando bons resultados, de acordo com Cainelli.

Mostrando exemplos da Bahia e da região de Uruguaiana, Cainelli apontou que os custos com a implantação do sistema geralmente se pagam após dois ou três anos de uso sendo que os equipamentos tem uma vida útil acima de 20 anos.

O uso de irrigação permanente pode, de forma geral, duplicar o rendimento e tornar-se viável para os produtores que se dedicam à agropecuária.

Galeria

O diretor-geral pro-tempore do Campus, Odirce Teixeira Antunes, deu as boas vindas aos participantes Público presente Renato Serena Fontaneli, pesquisador doutor da EMBRAPA Trigo, ministrou a palestra "Geração de renda a partir da integração entre lavoura e pecuária" "Compactação do solo x Tráfego de máquinas agrícolas" foi o tema da palestra do professor doutor do Campus Sertão, David Peres da Rosa Palestra "Uso de subprodutos agrícolas na alimentação animal", com o professor do Campus Sombrio - IF Catarinense, Dr. Miguelangelo Arboitte "Utilização de Silagens na produção animal" foi a palestra ministrada pelo professor da Universidade Federal de Santa Maria, João Pedro Velho Palestra: "A dinâmica da compactação do solo", professor doutor Vilson Antonio Klein Palestra: "O problema das micotoxinas na agropecuária", com o professor doutor Jânio Morais Santúrio da UFSM Palestra: "O uso da água nas propriedades rurais do RS" Palestra: "A piscicultura como fonte alternativa de renda para o pequeno produtor", com a professora Mestre Cátia Aline Veiverberg do IFF - Campus Júlio de Castilhos Palestra: "Tratamento dos dejetos por biodigestão e compostagem e aproveitamento como fertilizante orgânico" com o pesquisador Rodrigo da Silveira Nicoloso da EMBRAPA Suínos e Aves  Palestra: "Uso de pastejo rotacionado e irrigado para a produção de leite" com o Engenheiro Agrônomo Victor Hugo Cainelli da empresa Fockink de Panambi

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